PRÊMIO BNDES DE ECONOMIA 2010
O já tradicional prêmio BNDES de Economia, em sua trigésima primeira edição, traz a público significativo e interessante trabalho de Laura Barbosa de Carvalho, com o título Diversificação ou especialização: uma análise do processo estrutural da indústria brasileira ns últimas décadas.
O significado auspicioso é a volta e a consagração de estudos sobre a indústria brasileira que ficaram de algum modo eclipsados , nos últimos tempos, pelos estudos de natureza financeira e estudos sobre o comércio exterior.
O interesse do presente trabalho, além do enfoque comparativo com outros países, é a qualificação da evolução recente do setor industrial e balizar o debate dicotômico entre a especialização e a diversificação para que se avalie as vantagens em termos setoriais e também globais na economia brasileira.
Utilizando modelos consagrados em outros países para estudos semelhantes, o trabalho procura verificar se a economia brasileira entrou realmente num processo de especialização, e se os atuais níveis de renda per capita apontam para um processo precoce nesse sentido.
A autora faz uso dos conceitos de concentração passiva ( decorrente de variações de preços) e concentração ativa (decorrente de variações de volume produzido) apontando nos dois casos para a especialização, que pode ser ou não “ precoce”.
Utiliza para esse fim o conhecido índice GH para medição da especialização industrial. O trabalho traduz o entendimento de que num país de grande população e de elevada concentração de renda a renda per capita não é um indicador confiável do grau de desenvolvimento econômico, mas que de alguma forma ela reflete momentos significativos desse processo onde pode se iniciar ( por vários motivos) a especialização. No caso brasileiro ficam evidentes que no cenário da especialização foram relevantes a liberalização econômica, a estabilidade monetária e a entrada de capital estrangeiro.
A autora sugere a possibilidade de uma especialização “problemática” no caso dela ensejar uma redução do conteúdo tecnológico da produção industrial, além de sua própria precocidade. Importante também no trabalho a qualificação do que se convencionou chamar de “a década perdida”, quando se verifica forte inflexão da produção industrial do país, particularmente na indústria mecânica do país.
O fato é relevante ante a possibilidade do processo de especialização no Brasil, ao contrário dos países asiáticos, ter sido um processo “passivo”, uma vez que movido por baixo dinamismo da economia reforçado pela abertura comercial.
Diante desse quadro assume papel crucial as recentes perspectivas da economia brasileira delineadas pelo setor petrolífero ( que no estudo é deixado de lado por razões metodológicas) e sobretudo pelo novo papel da demanda doméstica.
Certamente diante desse novo quadro a autora deve atualizar sua contribuição, que é- repetimos-, um feliz advento dos estudos sobre o setor industrial.
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