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| PIAUÍ |
Localização
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LOCALIZAÇÃO:
o Piauí, estado brasileiro, fica no noroeste da região
Nordeste.
FRONTEIRAS: Norte = Oceano Atlântico
DIVISAS: Sul e Sudeste= Bahia; Sudoeste = Tocantins; Leste = Ceará
e Pernambuco; Oeste = Maranhão.
ÁREA (km²): 252.378,49
RELEVO: terrenos baixos e arenosos no litoral, planaltos na maior
parte, depressões a Sudeste.
RIOS PRINCIPAIS: Parnaíba, Poti, Canindé, Piauí,
São, Nicolau, Gurguéia
Enquanto os estados do Nordeste oriental contam com apenas um
rio perene, o São Francisco, com aproximadamente 1.800
km dentro de seus territórios, o Piauí conta com
o rio Parnaíba e alguns de seus afluentes, entre eles o
Uruçuí Preto e o Gurguéia que, somando-se
seus cursos permanentes, ultrapassam 2.600 km de extensão.
O estado conta ainda com lagoas de notável expressão,
tais como a de Parnaguá, Buriti e Cajueiro, que vêm
sendo aproveitadas em projetos de irrigação e de
abastecimento de água na região.
A perenidade dos rios piauienses, entretanto, encontra-se ameaçada.
Os rios sofrem intenso processo de assoreamento, sempre crescente,
em decorrência do desmatamento acentuado que ocorre no estado,
principalmente nas nascentes e nas margens dos rios.
VEGETAÇÃO: mangue no litoral, mata dos cocais a
O e caatinga na maior parte.
CLIMA: tropical e semi-árido no interior
MUNICÍPIOS (número): 221 (1996)
CIDADES MAIS IMPORTANTES: Teresina, Parnaíba, Picos, Floriano.
HORA LOCAL (em relação a Brasília): a mesma
HABITANTE: piauiense
POPULAÇÃO: 2.843.278 (2000)
DENSIDADE: 11,26 habitantes p/Km2
ANALFABETISMO: 28,6% (2000)
MORTALIDADE INFANTIL: 49,1
CAPITAL: Teresina, fundada em 16/8/1852.
HABITANTE DA CAPITAL: teresinense
A economia do Estado se baseia na indústria (química,
têxtil, de bebidas), na agricultura (algodão, arroz,
cana-de-açúcar, mandioca) e na pecuária.
A economia do Piauí caracteriza-se por sua fragilidade,
evidenciada pelo comportamento de alguns de seus indicadores,
a exemplo da renda per capita, que é a mais baixa do país
e, conseqüentemente, uma das menores do mundo.
O setor terciário é responsável por quase
70% da formação de renda do estado, ainda que pese
a atuação desfavorável de um de seus segmentos
mais importantes, o comércio inter-regional, que acaba
transferindo recursos, via diversos mecanismos, principalmente
tributários, para os estados mais desenvolvidos da federação,
notadamente São Paulo. Os setores primário e secundário,
embora minoritários na formação da renda
total, absorvem parcelas significativas da mão-de-obra,
distribuídas entre as seguintes atividades:
Extrativismo vegetal - Ocorre principalmente nos vales úmidos,
onde predominam as matas de babaçu e carnaúba.
Estudos de laboratório sobre a carnaúba demonstraram
ser possível a elevação do nível tecnológico
de seu aproveitamento, sendo a celulose o derivado de maior potencial
para viabilizar a exploração dessa imensa riqueza
natural do estado. A castanha-de-caju deixou de ser um produto
extrativo para constituir uma cultura desenvolvida em grande escala
e que boas perspectivas oferece à economia do estado.
Extrativismo mineral - Diversos estudos geológicos demonstram
a existência de potencial bastante promissor de exploração
mineral. Entre as ocorrências de maior interesse econômico,
citam-se: mármore, amianto, gemas, ardósia, níquel,
talco e vermiculita.
Vale ressaltar que o Piauí é dotado de grandes reservas
de águas subterrâneas artesianas e possui a segunda
maior jazida de níquel do Brasil, localizada no município
de São João do Piauí.
Pecuária - A pecuária foi a primeira atividade econômica
desenvolvida no estado, fazendo parte de sua tradição
histórica. O folclore e os costumes regionais derivam em
grande parte da atividade pastoril.
A caprinocultura, por sua capacidade de adaptação
a condições climáticas inóspitas,
tem sido incentivada pelo governo, proporcionando meio de vida
a significantes parcelas da população carente, principalmente,
nas regiões de Campo Maior, Alto Piauí e Canindé.
Agricultura - A agricultura no Piauí desenvolveu-se paralelamente
à pecuária, porém como atividade quase que
exclusivamente de subsistência. Posteriormente, adquiriu
maior caráter comercial, embora de forma lenta e insuficiente
para abastecer o crescente mercado interno do estado.
A colonização do Piauí deu-se do centro para
o litoral, no início do século 17. Fazendeiros do
São Francisco, à procura de novas expansões
para suas criações de gado, passaram a ocupar, a
partir de 1674, com cartas de sesmarias concedidas pelo governo
de Pernambuco, terras situadas às margens do rio Gurguéia.
Um desses sesmeiros, capitão Domingos Afonso Mafrense,
também conhecido como Domingos Sertão, fundou trinta
fazendas de gado, tornando-se o mais eminente colonizador da região.
Por sua própria vontade, as fazendas foram legadas, após
sua morte, aos padres da Companhia de Jesus. Hábeis gerentes,
os jesuítas contribuíram de forma decisiva para
o desenvolvimento da pecuária piauiense, que atingiu seu
auge em meados do século XVIII. Nessa época, os
rebanhos da região abasteciam todo o Nordeste, o Maranhão
e províncias do Sul. Com a expulsão dos jesuítas,
durante o período pombalino, as fazendas de Mafrense foram
incorporadas à Coroa e entraram em declínio.
Em 1718, o território, até então sob a jurisdição
da Bahia, passou para a do Maranhão.
Em 1811, o Piauí tornou-se uma capitania independente.
Por ocasião da Independência, em 1822, a cidade de
Parnaíba foi ocupada por tropas fiéis a Portugal;
o grupo recebeu adesões, mas acabou derrotado em 1823.
Alguns anos depois, movimentos revoltosos, como a Confederação
do Equador e a Balaiada, atingiram também o Piauí.
Em 1852, a capital foi transferida de Oeiras para Teresina, tendo
início um período de crescimento econômico.
A partir da república, o Estado apresentou tranqüilidade
no terreno político, mas grandes dificuldades no desenvolvimento
econômico-social.
No Piauí encontram-se os mais antigos sítios arqueológicos
do Brasil e da América, considerados entre os mais importantes
do mundo. No município de São Raimundo Nonato, na
parte sudeste do estado, 280 desses sítios já foram
mapeados por instituições científicas nacionais
e internacionais e abrigam rico acervo de arte rupestre e materiais
de origem orgânica, em boas condições de conservação.
Nos municípios de Piripiri e Piracuruca, no norte do estado,
localiza-se o Parque Nacional de Sete Cidades, área de
flora e fauna ricas e onde se encontram conjuntos ruiniformes
que insinuam a existência, em épocas remotas, de
civilizações desenvolvidas.
Fontes:
Governo do Estado
do Piauí / IBGE
/ República
Federativa do Brasil
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Turismo
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Criado oficialmente
em 19 de outubro de 1820, o Piauí tem sido alvo de críticas
maldosas, difamatórias e discriminatórias, haja vista
o estigma de ser o estado mais pobre do país. Veja, por exemplo,
esse trecho de um livro publicado recentemente: "Quando você
estiver na maior merda, conheça o Piauí. Você
verá que podia ser bem pior".*
Apesar do folclore injusto em que o afogaram, o Piauí é
um dos estados mais belos deste país. As suas potencialidades
são tamanhas que os seus diferenciais empurram para longe
a concorrência: possuímos a maior concentração
de sítios arqueológicos das três Américas
e um dos três únicos deltas em mar aberto do mundo!
Isso, evidentemente, sem tocar em sua cultura ainda arraigada em
costumes antigos e em manifestações espontâneas
de sua população. E sem ainda falar de sua natureza
diversificada, que reúne ilhas, rios, lagoas, serras e praias
virgens.
Mas somente com o planejamento turístico adequado será
possível evitar que em pouco tempo mercados concorrentes
consigam atrair o fluxo que começa a se consolidar na rota
do Piauí, um estado fascinante por sua diversidade de atrações,
praias selvagens, rios caudalosos, monumentos rochosos, fortes manifestações
culturais, saborosa culinária típica e a eterna e
comprovada hospitalidade de seu povo.
Essa mudança não ocorre unilateralmente. Os governos,
a iniciativa privada e a sociedade precisam estar unidos por um
mesmo objetivo: buscar no turismo a
resposta para o desenvolvimento, para a melhoria do bem-estar social
e para o fortalecimento econômico. A proliferação
de cursos de turismo no Piauí demonstra que o mercado está
partindo para a competitividade. Os futuros profissionais da área
terão que demonstrar na prática os conhecimentos que
adquiriram, para impulsionar os seus empreendimentos.
A atividade turística é muito dinâmica, porque
se relaciona praticamente com todas as demais ciências. De
sua complexidade é que nascem as relações entre
geografia, história, economia, informática, arquitetura,
psicologia, sociologia e muitas outras ciências igualmente
importantes.
A responsabilidade dos profissionais de turismo é talvez
até mais comprometedora do que a de profissionais de outros
segmentos. Vamos ilustrar, por exemplo, com os esforços dos
ecologistas pela preservação ambiental. Neste particular,
o profissional de turismo precisa ultrapassar as barreiras de uma
simples manifestação em defesa do meio ambiente, em
determinada região, e pensar nas relações de
consumo e no comportamento do fluxo turístico que busca esse
tipo de visitação. A responsabilidade de cada um em
não apenas preservar, mas entender a engrenagem do sistema,
deverá nascer da formação do conhecimento adquirido
em sala de aula e observado no dia-a-dia, porque essa prática
não há educador que ensine.
*CASSETA & PLANETA. O avantajado livro de pensamentos do Casseta
& Planeta. Rio de Janeiro:Editora Objetiva Ltda. p. 67.
Análise da atividade Turística no Interior
do Piauí
O Piauí
nasceu como tantos outros estados brasileiros: colonizado interior
adentro pelos portugueses em busca de riquezas. A sua forma meio
alargada no sul demonstra que a ocupação de suas terras
se iniciou por aquela região, quando se estabeleceram grandes
fazendas de gado que brotariam uma vocação natural
para a pecuária.
A abertura para o mar se deu por negociações com o
vizinho estado do Ceará, que resultaram nos atuais 66 km
de litoral, hoje uma faixa que pertence aos municípios de
Ilha Grande, Parnaíba, Luís Correia e Cajueiro da
Praia. Um fato histórico, porém, mudou bastante os
rumos do desenvolvimento ecológico e turístico do
Piauí. Em 1571, o português Nicolau de Resende naufragou
nas costas piauienses e foi levado a descobrir a múltipla
foz do Parnaíba, um rio que nasce no extremo sul do estado,
fronteira com a Bahia, serve de divisa com o estado do Maranhão,
facilita a penetração interior adentro e percorre
1485 km até abrir-se ao mar em forma de delta. Aliás,
o único delta em mar aberto das Américas e um dos
três deltas do mundo - os outros são o delta do rio
Mekong, que deságua no Vietnã, e o delta do rio Nilo,
na África. Nicolau fez o registro de sua descoberta e abriu
para a humanidade um grandioso santuário de dunas, mangues,
lagoas, rios, igarapés, praias, jacarés, guarás,
garças, cavalos selvagens e inúmeras outras espécies
da fauna e da flora.
No outro extremo do Piauí está um intrigante fascínio
para o turismo científico: as descobertas arqueológicas
do Parque Nacional Serra da Capivara que juntamente com os parques
de Sete Cidades e da Serra das Confusões formam os três
parques nacionais aqui existentes.
A equipe de cientistas que estuda a Serra da Capivara, através
da Fundação Museu do Homem Americano - FUMDHAM, fez
uma descoberta surpreendente, que vem contribuindo para mudar as
teorias sobre o povoamento das Américas. Vestígios
do Carbono 14, encontrados em uma fogueira que teria sido feita
pela mão humana, dataram em 50 mil anos a passagem do homem
pelo Piauí, um estado que possui a maior concentração
de sítios arqueológicos das três Américas.
Na cidade de São Raimundo Nonato, a 534 km ao sul de Teresina
e a sudeste do estado, existem modestas e confortáveis opções
de hospedagem e um aeroporto para pousos de pequenas aeronaves.
Distante 300 km da cidade de Petrolina, estado de Pernambuco, muitos
visitantes optam por aquela entrada de acesso à região,
em função dos vôos regulares e da menor distância
em relação à capital piauiense.
Pelo interior do estado espalham-se outros pequenos atrativos, igualmente
de grande importância para o turismo. O Parque Ecológico
da Cachoeira do Urubu está localizado entre os municípios
de Batalha e Esperantina, às margens do rio Longá.
Possuem imensos paredões de rocha, que formam belíssimas
quedas d'água. É um atrativo sazonal e está
disponível para o turismo de dezembro a maio, quando as águas
do rio estão mais volumosas e propícias para o banho.
Um espetáculo interessante é o da "piracema",
quando os peixes nadam aos saltos contra as águas, em busca
das nascentes para desovarem. O nome da cachoeira é pitoresco:
ao saltarem sobre as rochas, os peixes emaranham-se nas locas existentes,
morrem por falta de oxigenação e tornam-se presas
fáceis para os urubus que vagueiam na região.
A cidade de Oeiras, primeira capital do Piauí, possui dois
apelos interessantes para a atividade turística: o patrimônio
histórico e a religiosidade. O período da Semana Santa
vem atraindo pessoas de todas as partes do estado e hoje é
considerado o maior evento religioso piauiense. Além de uma
sazonalidade que não justifica grandes investimentos, a cidade
de Oeiras carece de hospedagem adequada e de boas opções
de lazer e entretenimento. Existe um projeto de recuperação
do seu centro histórico, que já garante alguma iniciativa
no sentido de melhorar o sistema receptivo local. O mês de
dezembro é considerado média estação
turística, quando a hotelaria disputa acomodação
com casas de parentes ou de amigos.
Análise
da Demanda Turística no Interior do Piauí
Com base em uma pesquisa realizada em dezembro de 1999 pelo Instituto
Piauiense de Opinião Pública IPOP, encomendada pela
Prefeitura de Oeiras,7 37,1% dos entrevistados afirmaram utilizar
hotéis e pensões como meio de hospedagem, enquanto
57,7% preferiram se acomodar em casas de parentes ou de amigos.
As cidades de Picos e Floriano exercem forte influência sobre
o fluxo turístico de Oeiras e, juntamente com Teresina, formam
quase a metade dos visitantes, com 45,4% de participação,
sendo 19,6% da capital piauiense, 13,4% de Picos e 12,4% de Floriano.
Em relação a visitantes de outros estados, a liderança
ficou com São Paulo, com 9,3% do fluxo, e Brasília,
com 3,1%.
O fluxo turístico que se movimenta pelo interior do estado
tem basicamente o mesmo perfil. Quando não são famílias
em busca de férias no litoral ou em cidades com um sistema
receptivo melhor estruturado, como São Raimundo Nonato, Floriano,
Amarante e a própria Oeiras, geralmente o fluxo é
de pequenos comerciantes fechando negócios ou comprando produtos
para abastecer as suas lojas. É possível, com essa
constatação, observar que alguns números extraídos
da pesquisa de Oeiras se adaptam à realidade de outras cidades.
Os visitantes do interior são, em maioria, vendedores e empresários
comerciantes. A renda bruta mensal individual se situa em até
5 salários mínimos e a idade média do viajante
está entre 30 e 39 anos de idade.
A permanência média se situa em 5 dias por pessoa,
representando uma boa margem para a distribuição dos
gastos efetivados no interior, porque quanto maior o número
de dias mais o turista distribui a renda por onde passa. Como a
pesquisa foi realizada em um período em que a maior incidência
é de viajantes a negócios, pelo menos 50% viajam sozinhos.
O ônibus representa o principal meio de transporte dos turistas
interioranos, que gastam em média por dia até R$ 40,00
com hospedagem e R$ 103,16 com outros tipos de gasto.
Observa-se que o fluxo não é tão inexpressivo
no interior piauiense, aumentando ainda mais a responsabilidade
pela oferta de uma boa estrutura receptiva, especialmente em grandes
corredores turísticos como os que ligam a capital ao litoral
(BR-343) e ao sul e sudeste do estado (BR-316). Com fortes diferenciais
no turismo ecológico, cultural, de negócios, saúde
e eventos, o Piauí desponta no cenário turístico
nacional com grande poder de competitividade. É necessário
apenas que o planejamento ordenado da atividade leve ao profissionalismo
exigido por um mercado cada vez mais rigoroso.
Fonte: Associação de Ensino Superior do Piauí
- por Enéas do Rego Barros. (link)
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